“Frase de Guedes é leviana e fora da realidade”, diz presidente da AFPESP

O médico pneumologista Álvaro Gradim, presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP), salienta que “a afirmação do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que ‘servidor público não pode ficar em casa, com geladeira cheia, enquanto brasileiros perdem emprego’, é improcedente, deslocada da realidade e leviana”.

O representante da categoria lembra que são os funcionários da União, estados e municípios que estão na linha de frente da sociedade na luta contra o novo coronavírus. São os profissionais da saúde, de hospitais e unidades de atendimento, policiais civis e militares, bombeiros, garis, coletores de lixo, pessoal de retaguarda que mantêm os sistemas funcionando, equipes dos institutos médicos legais, professores e pesquisadores das universidades públicas, dentre estes os que tiveram bolsas de pós-graduação suspensas este ano e que estão trabalhando de graça em busca de respostas científicas.

“O trabalho de todo esse pessoal tem sido um desafio diário, como se observa no Sistema Único de Saúde (SUS), do qual, segundo dados oficiais, dependem exclusivamente mais de 70% da população, sem poder aquisitivo para arcar com convênios, seguros e serviços particulares. Mesmo com o aumento exponencial da demanda em decorrência da Covid-19, o atendimento está sendo eficaz, apesar dos cortes significativos de verbas impostos ao setor, no âmbito da presente política fiscal do governo”, pondera Gradim.

O mesmo se aplica a todos os demais servidores acima, que têm sido a base de sustentação do País no cenário atual. “São os “parasitas” - conforme recentemente já os havia qualificado Paulo Guedes - que estão mantendo viva a Pátria Amada Brasil”, acentua o presidente da AFPESP.

Os funcionários públicos também enfrentam o risco de ter seus salários reduzidos como alternativa contingencial na geração de recursos para o enfrentamento da pandemia. Há propostas nesse sentido, de distintas instâncias governamentais. Para Gradim, a medida, além de injusta, é socialmente danosa, pois teria impacto imenso no poder aquisitivo de um segmento expressivo da população, numa conjuntura na qual os servidores públicos e seus familiares, como todos os brasileiros, precisam de dinheiro para suas necessidades básicas.

“Há outras despesas que os governantes podem cortar para prover os recursos necessários às medidas relativas à Covid-19, como reduzir os salários do alto escalão de políticos, além dos diversos auxílios a que tem direito algumas categorias. Não se pode colocar a responsabilidade de financiar a mobilização contingencial sobre a grande base humana de sustentação do sistema público”, conclui o presidente da AFPESP.

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)