Imprimir

Velhice não é doença: AFPESP e Coletivo Velhices Cidadãs combatem etarismo

Inclusão Social
19 Março 2026
19 Março 2026

Com o apoio da associação, manual escrito por especialistas brasileiros busca desconstruir preconceitos e estereótipos que cercam a longevidade

Por Andréa Ascenção

Parabéns! Para a sua idade você está conservado. Você ainda trabalha? Você não tem mais idade para usar essa roupa, esse cabelo. Tá gagá? Frases como essas estereotipam idosos, configurando discriminação, ainda que a intenção seja fazer um elogio. Com o intuito de combater o preconceito e a violência contra o público 60+, a AFPESP apoia a divulgação do “Pequeno Manual Anti-idadista”, publicado pelo Coletivo Velhices Cidadãs.

0302 Imagem interna Capa Pequeno Manual Anti Idadista 

A obra traz artigos de 43 especialistas, dentre eles Gilberto Natalini, ex-vereador de São Paulo, com atuação voltada para o envelhecimento ativo e o meio ambiente. Natalini também é médico gastrocirurgião e coordenador de Meio Ambiente da AFPESP.

“Envelhecer é um direito social, não um diagnóstico. A reversão da classificação da velhice como doença pela OMS, em 2022, foi uma vitória mundial que impulsionou a criação do Coletivo Velhices Cidadãs, focado na pluralidade do envelhecer e na defesa do lema 'nenhum direito a menos'. Nosso compromisso é construir um Brasil que acolha a longevidade com a dignidade, o respeito e a felicidade que todos merecemos", disse Natalini.

É coisa da idade

O idadismo ou etarismo é frequentemente relacionado ao envelhecimento, mas pode acontecer contra pessoas de qualquer idade, como quando a fala de uma pessoa considerada muito jovem é desprezada por causa de sua idade. Também pode acontecer de três formas: institucional (quando leis, regras, normas sociais, políticas e práticas de instituições restringem injustamente as oportunidades e prejudicam sistematicamente os indivíduos), interpessoal (entre dois ou mais indivíduos) e autodirigido (quando o preconceito de idade é contra si mesmo).      

De acordo com as projeções de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000 a 2023, a proporção de idosos na população brasileira quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%. Em 2070, cerca de 37,8% dos habitantes do País serão idosos. No quadro associativo da AFPESP, 55% estão acima dos 60 anos.

“Sempre visamos a qualidade de vida dos nossos associados. Por isso, intensificamos o olhar sobre o acelerado envelhecimento populacional, priorizando o combate a todas as formas de intolerância etária que impactam a saúde física, mental e o bem-estar social. Essa postura proativa reafirma nosso compromisso com a dignidade na longevidade e com o entendimento de que, conforme ratificado mundialmente, velhice não é doença", afirmou Artur Marques, presidente da AFPESP.

0205 Imagem Interna CTA 95 anos

Compartilhar
Imprimir