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Prevenção ao câncer de pele: como se proteger, reconhecer os sinais e entender os novos tratamentos

Opinião
12 Junho 2026
12 Junho 2026

Por Juliana Danivo Chiavatto Rocha                                                                                                            

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no mundo e também o mais comum no Brasil. Apesar disso, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são muito altas. A boa notícia é que grande parte dos casos pode ser evitada com medidas simples de prevenção e acompanhamento dermatológico regular.

Nos últimos anos, novas diretrizes internacionais trouxeram avanços importantes no diagnóstico precoce, no tratamento e nas estratégias preventivas, principalmente para o melanoma — o tipo mais agressivo de câncer de pele.

O que é o câncer de pele? 

O câncer de pele acontece quando as células da pele passam a crescer de forma desordenada. Existem dois grandes grupos:

Câncer de pele não melanoma 

É o mais comum e geralmente apresenta crescimento mais lento. Os principais tipos são:

  • Carcinoma basocelular;
  • Carcinoma espinocelular.

Quando descobertos cedo, costumam ter altas taxas de cura.

Melanoma 

O melanoma é menos frequente, porém mais agressivo, pois pode se espalhar para outros órgãos. Ainda assim, o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de tratamento eficaz.

Por que o câncer de pele está aumentando?

Especialistas apontam vários fatores:

  • Exposição excessiva ao sol;
  • Queimaduras solares na infância;
  • Bronzeamento artificial;
  • Envelhecimento da população;
  • Mudanças climáticas e aumento da radiação ultravioleta;
  • Falta de fotoproteção adequada.

As novas diretrizes internacionais reforçam que a exposição solar acumulada ao longo da vida continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele.

Quem tem maior risco? 

Algumas pessoas precisam de acompanhamento mais frequente com o dermatologista:

  • Pessoas de pele clara;
  • Quem possui muitas pintas;
  • Histórico familiar de melanoma;
  • Pacientes imunossuprimidos;
  • Transplantados;
  • Pessoas que tiveram queimaduras solares repetidas;
  • Trabalhadores com exposição solar intensa.

Como prevenir o câncer de pele? 

A prevenção continua sendo a medida mais importante.

1. Use protetor solar diariamente

As recomendações atuais orientam:

  • FPS mínimo de 30;
  • Proteção UVA e UVB;
  • Reaplicação a cada 2 horas;
  • Reaplicar após suor intenso ou banho;
  • Aplicar quantidade adequada.

Os especialistas alertam que muitas pessoas usam menos protetor do que o necessário para proteção real.

2. Evite exposição solar intensa

O ideal é evitar sol forte entre 10h e 16h.

Mesmo em dias nublados, a radiação ultravioleta continua atingindo a pele.

3. Use barreiras físicas

As diretrizes mais recentes reforçam que a melhor proteção é a combinação de medidas:

  • Chapéu de aba larga;
  • Óculos com proteção UV;
  • Roupas com proteção solar;
  • Busca por sombra;
  • Guarda-sol.

4. Nunca faça bronzeamento artificial

As câmaras de bronzeamento aumentam significativamente o risco de melanoma e outros cânceres de pele. Hoje, há consenso científico mundial contra seu uso para fins estéticos.

Como identificar sinais suspeitos? 

Uma das principais orientações atuais é conhecer a própria pele e perceber mudanças.

Regra do ABCDE 

Os dermatologistas utilizam esta regra para identificar sinais suspeitos:

  • A — Assimetria;
  • B — Bordas irregulares;
  • C — Cores diferentes na mesma pinta;
  • D — Diâmetro maior que 6 mm;
  • E — Evolução ou mudança.

O “sinal diferente” 

As novas diretrizes também reforçam o conceito do “patinho feio”: uma pinta que parece diferente das outras merece avaliação médica.

Procure um dermatologista se notar:

  • Crescimento rápido;
  • Sangramento;
  • Feridas que não cicatrizam;
  • Coceira persistente;
  • Mudança de cor;
  • Alteração no formato da lesão.

Novidades no diagnóstico 

A dermatologia evoluiu muito nos últimos anos.

Dermatoscopia

Hoje, o dermatologista consegue avaliar estruturas invisíveis a olho nu com aparelhos específicos, aumentando a precisão do diagnóstico precoce.

Tecnologias

Novas tecnologias estão auxiliando na identificação de lesões suspeitas, especialmente  com ultrassom dermatológico com Doppler que utiliza transdutores de alta frequência e exames dermatoscópicos. Estudos recentes mostram resultados promissores no rastreamento precoce do melanoma.

Mesmo assim, os especialistas reforçam que a avaliação médica continua indispensável.

Tratamentos modernos: o que mudou? 

Os avanços mais importantes aconteceram no tratamento do melanoma avançado.

Imunoterapia

Medicamentos modernos estimulam o sistema imunológico a combater o tumor. Esses tratamentos aumentaram significativamente a sobrevida dos pacientes nos últimos anos.

Terapias-alvo

Pacientes com determinadas mutações genéticas podem receber medicamentos específicos que bloqueiam o crescimento tumoral.

Cirurgia continua sendo fundamental

Para a maioria dos cânceres de pele diagnosticados precocemente, a cirurgia ainda representa o principal tratamento e oferece altas taxas de cura.

Crianças também precisam de proteção 

Especialistas alertam que queimaduras solares na infância aumentam o risco futuro de câncer de pele. Por isso, a proteção deve começar desde cedo.

As orientações incluem:

  • Uso regular de protetor solar infantil;
  • Chapéus e roupas adequadas;
  • Evitar sol intenso;
  • Educação sobre fotoproteção.

O papel do dermatologista 

As novas diretrizes reforçam que consultas dermatológicas regulares são essenciais, especialmente para pessoas de maior risco.

O acompanhamento permite:

  • Diagnóstico precoce;
  • Mapeamento de pintas;
  • Dermatoscopia seriada;
  • Orientação individualizada;
  • Tratamento precoce das lesões.

Conclusão 

O câncer de pele continua sendo extremamente frequente, mas também é um dos tipos de câncer mais preveníveis. A combinação entre fotoproteção adequada, atenção aos sinais da pele e acompanhamento dermatológico regular pode salvar vidas.

Os avanços recentes em inteligência artificial, dermatoscopia e imunoterapia vêm transformando o diagnóstico e o tratamento da doença, permitindo resultados cada vez melhores quando o câncer é identificado precocemente.

Cuidar da pele hoje é uma medida de saúde para toda a vida.

 

Juliana Davino Chiovatto Rocha é médica graduada pela Faculdade Santa Marcelina, com especialização em Dermatologia pela Faculdade Primum e formação complementar em Cirurgia Dermatológica e Medicina Estética. Realizou fellowships em Dermatologia Clínica no Serviço de Dermatologia do Hospital Heliópolis e na Faculdade de Medicina do ABC, aprimorando sua experiência no diagnóstico e tratamento das doenças da pele, cabelos e unhas. Atua nas áreas de dermatologia clínica, dermatoscopia, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele, cirurgia dermatológica e medicina estética. Atende na Clínica Chiovatto, integrante da Rede Afinidade da AFPESP.

 

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