Por Juliana Danivo Chiavatto Rocha
O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no mundo e também o mais comum no Brasil. Apesar disso, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são muito altas. A boa notícia é que grande parte dos casos pode ser evitada com medidas simples de prevenção e acompanhamento dermatológico regular.
Nos últimos anos, novas diretrizes internacionais trouxeram avanços importantes no diagnóstico precoce, no tratamento e nas estratégias preventivas, principalmente para o melanoma — o tipo mais agressivo de câncer de pele.
O que é o câncer de pele?
O câncer de pele acontece quando as células da pele passam a crescer de forma desordenada. Existem dois grandes grupos:
Câncer de pele não melanoma
É o mais comum e geralmente apresenta crescimento mais lento. Os principais tipos são:
- Carcinoma basocelular;
- Carcinoma espinocelular.
Quando descobertos cedo, costumam ter altas taxas de cura.
Melanoma
O melanoma é menos frequente, porém mais agressivo, pois pode se espalhar para outros órgãos. Ainda assim, o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de tratamento eficaz.
Por que o câncer de pele está aumentando?
Especialistas apontam vários fatores:
- Exposição excessiva ao sol;
- Queimaduras solares na infância;
- Bronzeamento artificial;
- Envelhecimento da população;
- Mudanças climáticas e aumento da radiação ultravioleta;
- Falta de fotoproteção adequada.
As novas diretrizes internacionais reforçam que a exposição solar acumulada ao longo da vida continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele.
Quem tem maior risco?
Algumas pessoas precisam de acompanhamento mais frequente com o dermatologista:
- Pessoas de pele clara;
- Quem possui muitas pintas;
- Histórico familiar de melanoma;
- Pacientes imunossuprimidos;
- Transplantados;
- Pessoas que tiveram queimaduras solares repetidas;
- Trabalhadores com exposição solar intensa.
Como prevenir o câncer de pele?
A prevenção continua sendo a medida mais importante.
1. Use protetor solar diariamente
As recomendações atuais orientam:
- FPS mínimo de 30;
- Proteção UVA e UVB;
- Reaplicação a cada 2 horas;
- Reaplicar após suor intenso ou banho;
- Aplicar quantidade adequada.
Os especialistas alertam que muitas pessoas usam menos protetor do que o necessário para proteção real.
2. Evite exposição solar intensa
O ideal é evitar sol forte entre 10h e 16h.
Mesmo em dias nublados, a radiação ultravioleta continua atingindo a pele.
3. Use barreiras físicas
As diretrizes mais recentes reforçam que a melhor proteção é a combinação de medidas:
- Chapéu de aba larga;
- Óculos com proteção UV;
- Roupas com proteção solar;
- Busca por sombra;
- Guarda-sol.
4. Nunca faça bronzeamento artificial
As câmaras de bronzeamento aumentam significativamente o risco de melanoma e outros cânceres de pele. Hoje, há consenso científico mundial contra seu uso para fins estéticos.
Como identificar sinais suspeitos?
Uma das principais orientações atuais é conhecer a própria pele e perceber mudanças.
Regra do ABCDE
Os dermatologistas utilizam esta regra para identificar sinais suspeitos:
- A — Assimetria;
- B — Bordas irregulares;
- C — Cores diferentes na mesma pinta;
- D — Diâmetro maior que 6 mm;
- E — Evolução ou mudança.
O “sinal diferente”
As novas diretrizes também reforçam o conceito do “patinho feio”: uma pinta que parece diferente das outras merece avaliação médica.
Procure um dermatologista se notar:
- Crescimento rápido;
- Sangramento;
- Feridas que não cicatrizam;
- Coceira persistente;
- Mudança de cor;
- Alteração no formato da lesão.
Novidades no diagnóstico
A dermatologia evoluiu muito nos últimos anos.
Dermatoscopia
Hoje, o dermatologista consegue avaliar estruturas invisíveis a olho nu com aparelhos específicos, aumentando a precisão do diagnóstico precoce.
Tecnologias
Novas tecnologias estão auxiliando na identificação de lesões suspeitas, especialmente com ultrassom dermatológico com Doppler que utiliza transdutores de alta frequência e exames dermatoscópicos. Estudos recentes mostram resultados promissores no rastreamento precoce do melanoma.
Mesmo assim, os especialistas reforçam que a avaliação médica continua indispensável.
Tratamentos modernos: o que mudou?
Os avanços mais importantes aconteceram no tratamento do melanoma avançado.
Imunoterapia
Medicamentos modernos estimulam o sistema imunológico a combater o tumor. Esses tratamentos aumentaram significativamente a sobrevida dos pacientes nos últimos anos.
Terapias-alvo
Pacientes com determinadas mutações genéticas podem receber medicamentos específicos que bloqueiam o crescimento tumoral.
Cirurgia continua sendo fundamental
Para a maioria dos cânceres de pele diagnosticados precocemente, a cirurgia ainda representa o principal tratamento e oferece altas taxas de cura.
Crianças também precisam de proteção
Especialistas alertam que queimaduras solares na infância aumentam o risco futuro de câncer de pele. Por isso, a proteção deve começar desde cedo.
As orientações incluem:
- Uso regular de protetor solar infantil;
- Chapéus e roupas adequadas;
- Evitar sol intenso;
- Educação sobre fotoproteção.
O papel do dermatologista
As novas diretrizes reforçam que consultas dermatológicas regulares são essenciais, especialmente para pessoas de maior risco.
O acompanhamento permite:
- Diagnóstico precoce;
- Mapeamento de pintas;
- Dermatoscopia seriada;
- Orientação individualizada;
- Tratamento precoce das lesões.
Conclusão
O câncer de pele continua sendo extremamente frequente, mas também é um dos tipos de câncer mais preveníveis. A combinação entre fotoproteção adequada, atenção aos sinais da pele e acompanhamento dermatológico regular pode salvar vidas.
Os avanços recentes em inteligência artificial, dermatoscopia e imunoterapia vêm transformando o diagnóstico e o tratamento da doença, permitindo resultados cada vez melhores quando o câncer é identificado precocemente.
Cuidar da pele hoje é uma medida de saúde para toda a vida.

Juliana Davino Chiovatto Rocha é médica graduada pela Faculdade Santa Marcelina, com especialização em Dermatologia pela Faculdade Primum e formação complementar em Cirurgia Dermatológica e Medicina Estética. Realizou fellowships em Dermatologia Clínica no Serviço de Dermatologia do Hospital Heliópolis e na Faculdade de Medicina do ABC, aprimorando sua experiência no diagnóstico e tratamento das doenças da pele, cabelos e unhas. Atua nas áreas de dermatologia clínica, dermatoscopia, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pele, cirurgia dermatológica e medicina estética. Atende na Clínica Chiovatto, integrante da Rede Afinidade da AFPESP.
