Conteúdos criados com auxílio de IA prejudicam tratamentos, atrasam diagnósticos e agravam sintomas
Por Catiane Santos
Engolida pela era da comunicação digital, a população criou novas formas de consumir conteúdos, sejam eles informativos ou recreativos. É pelas redes sociais que pessoas, empresas e até órgãos oficiais interagem com os chamados seguidores. E o que era para ser um grande facilitador comunicacional tornou-se também um ambiente propício à desinformação.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) faz um alerta para o perigo de perfis que estão nas redes sociais prometendo receitas milagrosas, e até a cura de doenças, com base em conhecimentos ancestrais utilizando como porta-vozes gurus e xamãs criados com o uso de IA (inteligência artificial).
A partir dessas figuras fictícias, gera-se o chamariz de melhora da saúde por meio de tratamentos naturais que, em alguns casos, culminam na venda de e-books ou cursos com conteúdo sem embasamento científico.
Em um dos exemplos citados pela Anvisa, uma conta (cujo endereço não foi informado) com 600 mil seguidores usa como locutora uma senhora indígena criada por IA que compartilha receitas prometendo devolver a saúde de qualquer pessoa em sete dias.
No e-book com as tais receitas, consta uma recomendação de consumo de cúrcuma por 30 dias seguidos para matar parasitas e vermes.
No entanto, não existem evidências científicas baseadas em estudos com seres humanos que endossem a recomendação de ingestão de cúrcuma para o tratamento de verminoses.
Este ano, a própria Anvisa publicou um alerta sobre suplementos alimentares e medicamentos à base de cúrcuma, com concentrações elevadas ou aumento da biodisponibilidade da curcumina, explicando que eles podem provocar danos ao fígado.
A agência reforça que alimentos e medicamentos possuem regulação diferente. O que alimenta tem valor nutricional e desempenha um papel importante na manutenção de boa saúde. Entretanto, não deve ser associado a promessas de cura, tratamento ou recuperação de bem-estar; essas são características de um medicamento.
Dicas para evitar cair em golpes
- Observe se o perfil possui o selo de verificação da rede social;
- Profissionais regulamentados possuem registros nos conselhos profissionais de suas categorias (ex.: médicos estão vinculados ao Conselho Regional de Medicina, o CRM). Verifique o registro nos órgãos responsáveis;
- Avalie a qualidade e os detalhes da imagem (ou peça ajuda a alguém) e desconfie de vídeos com elementos ou cenários que não pareçam reais;
- Lembre-se de que natural não é sinônimo de seguro. As chamadas plantas medicinais podem causar efeitos adversos, intoxicações ou reações alérgicas se consumidas de forma indiscriminada.
No site do Cert.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, constam publicações com informações sobre como navegar na internet com segurança.
Fonte: Anvisa