Valores, crenças e ameaças

O poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido.

(Hannah Arendt)

 

O mês de fevereiro certamente será emblemático para o Brasil. A possível votação, pelos deputados federais, da Reforma da Previdência pode mudar o destino de milhões de brasileiros. É importante acrescentar que esse tipo de proposta de emenda constitucional, se for aprovada pela Câmara Federal, seguirá para o Senado, onde novas discussões serão realizadas.

 

Há um desânimo no ar porque a prática política tem mostrado que as votações acontecem nos bastidores, isto é, quando os deputados federais ou senadores vão ao plenário todas as escolhas já foram feitas ou em alguns escabrosos casos “compradas”, como foi provado pelo mensalão, na Reforma da Previdência de 2003.

 

Neste compasso ou descompasso segue o jogo, num ano de eleição geral. A AFPESP está mobilizada em São Paulo e Brasília para tentar, ao lado de outros líderes dos servidores públicos, mudar um pouco o rumo desta história.

 

O Brasil de 2018 não é o mesmo de 2017. Algumas áreas avançam em conquistas e outras descem ladeira abaixo. Parte desta situação tem relação direta com a vulnerabilidade da economia. O comportamento do brasileiro, que segue padrões mundiais por conta da globalização, mudou e o Brasil vive em constante transição.

 

Nesta onda de transformações econômicas e comportamentais percebemos como sofrem os servidores públicos, que possuem poucos incentivos de aprimoramento profissional e, como muitos, não entendem esses valores e crenças do brasileiro contemporâneo.

 

A famosa lei de Gérson, que para quem não sabe foi um jogador de futebol e tricampeão mundial em 1970, “o importante é levar vantagem em tudo, certo?” continua valendo até mesmos nas imensas filas de vacinação contra a febre amarela, onde alguns brasileiros que não precisam tomar a vacina, naquele momento, foram aos postos e se imunizaram, tirando lugar dos que vivem nas áreas de risco.

 

O brasileiro pode não ser igual ao dragão-de-komodo que possui faro apurado, pele áspera, muda de cor e se adapta aos piores climas. Contudo, a história revela que o brasileiro segue em frente, nas piores situações. Talvez isso mude um pouco em 2018 porque a América Latina tem vivido movimentos radicais contra os governos corruptos e os brasileiros podem seguir nessa vertente.

 

Os valores, crenças e ameaças sempre vão existir e mudar conforme o momento. Já o fortalecimento do Estado, dos serviços públicos e dos servidores públicos pode acabar e será difícil o retorno, após a implantação de um Estado Mínimo.

 

Espero que você associado que prestigia o trabalho da Entidade, confira em todas as mídias associativas as atividades em defesa dos servidores públicos, porque integramos a frente paulista, que debate regularmente ações contra todas as reformas que podem prejudicar a categoria. Vamos manter nossa união e conquistar um futuro melhor.

 

Antônio Carlos Duarte Moreira - Presidente da AFPESP

e-mail: presidente@afpesp.org.br

 
   Presidente Antônio Carlos Duarte Moreira
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