Águas de março

As falhas dos homens eternizam-se no bronze, As suas virtudes escrevemos na água.

(William Shakespeare)

 

A canção de Tom Jobim “Águas de Março”, de 1972, um clássico da música brasileira, traz em seus versos as frases “são as águas de março fechando o verão; é a promessa de vida em teu coração”, que nos acalentam neste período do ano. Realmente, o mês de março, depois das chuvas de janeiro e fevereiro, renasce com as expectativas de trabalho do ano.

 

Os meses de janeiro e fevereiro foram turbulentos, com a preocupação da votação da Reforma da Previdência, que agora está suspensa com a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro. A reforma continua sendo objetivo do governo federal, que pode tentar aprová-la, assim que for possível ou logo após as eleições gerais, se a intervenção no Rio for revogada antes do prazo, porque vai até 31 de dezembro.

 

O texto da Proposta de Emenda Constitucional 287/2016, mesmo com ajustes, poderá representar o fim da Previdência Pública no Brasil. Por isso, vamos manter as ações e os debates com os parlamentares nos Estados e em Brasília, aproveitando esse período de suspensão para aprofundar as questões que podem prejudicar muito os servidores públicos e os pensionistas.

 

Na cidade de São Paulo, os servidores municipais estão envolvidos na discussão dos aditivos apresentados pelo prefeito, João Dória, ao antigo projeto chamado SampaPrev. As novidades no sistema de previdência dos servidores envolvem, por exemplo, alíquotas diferentes conforme a faixa salarial. Em primeira análise, as entidades de servidores municipais repudiaram as propostas e estão promovendo debates com a imprensa e autoridades para barrar essa votação na Câmara Municipal ou conseguir emendas que amenizem alguns itens bem prejudiciais à categoria.

 

As águas de março continuam movimentando a administração pública que tenta responder aos questionamentos da população por mais qualidade nos serviços das áreas de Segurança Pública, Saúde e Educação. Em tempos de redução dos concursos públicos e das despesas gerais do Estado, os relatos que chegam à AFPESP dos colegas ativos apresentam problemas graves, com muitos servidores adoecendo com a pressão e com a falta de motivação no trabalho, por exemplo, a defasagem salarial.

 

Também no mês de março, a condição de trabalho das mulheres é objeto de reflexão. No serviço público, as mulheres recebem o mesmo salário, sem discriminação de gênero, mas não escapam, ainda, do assédio moral ou sexual, que vem sendo mais denunciado e causando até controvérsias.

 

De qualquer forma, como escreveu o poeta Tom Jobim, mesmo com “espinho na mão” ou “um corte no pé” nós, servidores públicos civis e militares, honraremos nosso compromisso com a população pelo dever de servir.

 

Vamos esperar que as águas movimentem as más intenções dos políticos que usam o poder em benefício próprio e deixem somente aqueles que têm bons compromissos com o coletivo.

Antônio Carlos Duarte Moreira - Presidente da AFPESP

e-mail: presidente@afpesp.org.br

 
   Presidente Antônio Carlos Duarte Moreira
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