Tecnologia que usa microalgas em um fotobiorreator foi destaque em exposição alusiva ao Dia da Árvore
Por Jéssica Silva
Quem passou pela Sede Social entre os dias 21 e 25 de setembro aproveitou para respirar um ar mais puro, como o de uma floresta, mesmo em meio à área central da metrópole paulistana. Isso graças à exposição da Life Tree, um equipamento biotecnológico que purifica o ar, instalado no saguão do prédio em celebração ao Dia da Árvore (21/9).
A “árvore líquida”, experiência que marcou presença na AFPESP em menção ao Dia da Árvore. Foto: Elisa Izumi TorresA tecnologia, desenvolvida pelo professor, mestre em engenharia ambiental e Sanitarista, Antonio Iris Mazza, em parceria com a empresa Grupo Life Service, utiliza o princípio natural da fotossíntese por meio de microalgas em um fotobiorreator que captura o gás carbônico (CO2) e transforma em oxigênio (O2).
A “árvore líquida”, como é chamada, possui sensores programáveis para mapear qualquer tipo de poluente no ar, capturando assim também material particulado ultrafino (nanopartículas poluentes presentes no ar), dióxido de nitrogênio (NO2) e compostos orgânicos.
“Tem uma série de benefícios além da qualidade do ar; ela ajuda a regular a temperatura do ambiente, evita proliferação de vírus e gera, como resíduo, uma biomassa que pode ser utilizada como um biofertilizante e, em uma grande proporção, como biocombustível”, conta Mazza.
O projeto nasceu há cerca de cinco anos com base em mais de 20 anos de pesquisa realizada pelo docente e é voltado para atender metas corporativas de sustentabilidade e estratégias ESG. Pode ser instalado em centros comerciais e educacionais, indústrias, cidades inteligentes. Se alocada em área aberta, a árvore líquida é 100% sustentável – a partir de placas fotovoltaicas utiliza energia solar para funcionar.
“Apresentamos essa inovação aos associados com intuito de divulgar as possibilidades tecnológicas promissoras à preservação do meio ambiente e melhora da qualidade de vida. É impossível pensar em sustentabilidade sem pensar na qualidade do ar, por isso a árvore líquida é tão pertinente”, afirma o presidente da AFPESP, Artur Marques.
Durante a semana em que ficou na Sede Social, o equipamento gerou cerca de 4 mil dados sobre a qualidade do ar na AFPESP, com monitoramento diário mostrado em tempo real. No total, foram 4.924.800 litros de ar tratado. A árvore líquida capturou, em média, 668 ppm (partes por milhão) de CO2 por dia, e devolveu 547 ppm, correspondendo a uma redução média de 121 ppm (22%). Em sua biomassa, armazenou, ao final da ação, 0,29kg de carbono, o equivalente ao trabalho de duas árvores de porte grande.
Segundo Mazza, dependendo do local instalado e nível de contaminação do ar, a tecnologia pode chegar a eficiência de 15 a 20 árvores. Apesar disso, ele reforça que a biotecnologia não substitui uma árvore natural. “Ela por si só não é uma solução de um problema complexo como a emissão de poluentes na atmosfera e a crise climática. A árvore líquida é um indicador de soluções”, aponta o docente.
Para o coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, Gilberto Natalini, os dados apurados na ação demonstram que as cidades precisam mudar. “Essa poluição está em nosso organismo, em nossos pulmões. Sempre lutaremos pelas áreas verdes, pelo cultivo da mata nativa e tratamento das águas; pelo desenvolvimento sustentável e mobilidade mais limpa. Toda solução tecnológica nesse sentido é muito bem-vinda”, frisa o dirigente.
Marcaram presença na abertura da exposição, da esq. para a dir.: a equipe da Coordenadoria de Meio Ambiente da AFPESP, composta por Victória Estelita da Silva Nery (assistente administrativa), Willyan Moraes Lemes (auxiliar administrativo ambiental), Vivian Heller Weiss Souguellis (engenheira ambiental) e Gilberto Natalini (coordenador); Ana Maria Villela Alvarez Martinez (coordenadora de Educação e Cultura), Artur Marques (presidente da AFPESP), Antonio Luiz Pires Neto (1º vice-presidente), Sonia Maria Auricchio (conselheira) e Roberto Alves Soares (analista ambiental da Coordenadoria). Foto: Elisa Izumi Torres
Meio ambiente na pauta da AFPESP
O Brasil é um dos maiores poluidores climáticos do planeta. Dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima, mostram que os principais causadores de emissões no país (70%) são as mudanças no uso da terra, sobretudo o desmatamento, e a agropecuária.
Em São Paulo, o setor de energia (uso de combustível fóssil) é o responsável por 59,1% das emissões de gases de efeito estufa. Em 2024, foram mais de 85 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente na atmosfera. “Como maior instituição associativa da América Latina, temos que fazer a nossa parte”, defende Artur Marques.
A AFPESP mantém mais de 810 mil metros quadrados de área verde. Dessa biodiversidade, 34,5% estão em APP (Áreas de Preservação Permanente) e 36% em área preservada voluntariamente, além de 29,5% de Reserva Legal. Por meio desse ecossistema, estima-se que a associação tem capacidade de sequestrar aproximadamente 493,1 toneladas de CO2 equivalente por ano.
O trabalho nesse sentido, encabeçado pela Coordenadoria de Meio Ambiente, é permanente. Em 2025, uma ação mobilizou unidades regionais e de lazer no plantio de cerca de 40 árvores. No âmbito do Projeto Raízes do Futuro, mais de 40 mil mudas de espécies nativas já foram plantadas em Serra Negra. Confira todas as ações aqui.




