Por Ulysses Francisco Buono
Março é o mês dedicado à conscientização sobre a epilepsia. O dia 26 de março é conhecido mundialmente como Purple Day (Dia Roxo), uma data criada para difundir informação, combater o preconceito e promover o apoio às pessoas que convivem com essa condição.
O que é epilepsia?
O cérebro funciona por meio da comunicação entre suas nobres células, chamadas neurônios, que se comunicam através de impulsos elétricos. Quando ocorrem descargas elétricas anormais e excessivas, podem surgir manifestações clínicas que caracterizam a epilepsia.
Essas manifestações, conhecidas como crises epilépticas, variam bastante de pessoa para pessoa. Podem incluir:
- lapsos de atenção ou “ausências”;
- desligamentos temporários do ambiente;
- convulsões leves;
- convulsões mais intensas.
Essas crises, especialmente as convulsivas, costumam causar muito pânico em quem presencia o episódio, principalmente por falta de informação.
Auras e tipos de crises
Em alguns casos, as crises podem ser precedidas por sinais de aviso, chamados de “auras”. A aura é a fase inicial da crise e é percebida conscientemente pelo paciente, podendo se manifestar como sensação estranha, tontura, alteração visual, medo repentino ou outros sintomas.
As crises epilépticas podem apresentar diferentes fases:
- crises focais, nas quais a pessoa percebe o que está acontecendo;
- crises mais intensas, em que a pessoa pode ficar confusa, desconectada do ambiente ou perder a consciência.
O que fazer diante de uma pessoa em crise convulsiva?
Durante uma crise epiléptica, algumas atitudes simples são fundamentais:
- mantenha a calma;
- afaste objetos que possam causar ferimentos;
- lembre-se: epilepsia não é contagiosa, portanto não há risco com a salivação;
- coloque a pessoa deitada de costas e vire a cabeça lateralmente, para evitar sufocação com saliva ou vômitos;
- não coloque nada na boca da pessoa;
- não tente imobilizá-la ou “lutar” contra os movimentos;
- apenas observe e aguarde o término da crise, que geralmente é curta.
Tratamento e qualidade de vida
A epilepsia não é contagiosa e, quando corretamente tratada, permite que a pessoa leve uma vida normal, ativa e socialmente integrada.
Trata-se de uma doença real e neurológica, de causa orgânica, que na imensa maioria dos casos não impede o convívio social, o trabalho ou os estudos. O acompanhamento médico, geralmente feito por um neurologista, é essencial para o controle das crises.
É fundamental desmistificar a epilepsia, combater o preconceito e disseminar informação correta. A conscientização ajuda a salvar vidas, promove empatia e fortalece a inclusão das pessoas com epilepsia na sociedade.

Ulysses Francisco Buono é coordenador de Assistência à Sáude. Atuou como médico gerente geral da Interclínicas durante duas décadas e como consultor do diretor de saúde da Porto Seguro por 11 anos. Graduou-se pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em 1971 e concluiu residência médica pediátrica em 1973.




