Por Ulysses Francisco Buono
Como sobrevivemos enfrentando tantas doenças infecciosas sem sermos constantemente atacados por elas?
A natureza, sábia e divina, nos oferece uma série de “soldados” para nos defender: são os nossos anticorpos. Os primeiros “soldados” são fornecidos durante a gestação e, nos primeiros meses de vida, pela amamentação. Essa fase de alimentação é essencial para a formação dos nossos anticorpos.
E depois?
Nosso corpo é um verdadeiro campo de batalhas contínuas. Estamos em guerra permanente, 24 horas por dia, contra vírus e bactérias que estão sempre presentes em nosso ambiente e até mesmo no próprio organismo.
As imunizações podem ser classificadas como:
1. Passivas
Quando a própria doença provoca a formação de anticorpos.
Exemplo: o sarampo. Quem contraía sarampo antes da existência da vacina não voltava a ter a doença, pois o organismo passava a produzir seus próprios anticorpos.
2. Ativas
Ocorrem pela administração de vacinas, que estimulam o organismo a produzir defesas específicas contra cada agente infeccioso.
3. Imunidade de rebanho
Quando um grande número de pessoas está imunizado, o agente causador encontra dificuldade para se espalhar, reduzindo a transmissão e protegendo também aqueles que não podem ser vacinados.
Um pouco de história
A primeira vacina foi criada em 1796 pelo médico Edward Jenner para combater a varíola, utilizando material da varíola bovina. A palavra vacina vem justamente de “vacca”.
O primeiro paciente vacinado foi o menino James Phipps. Esse marco inaugurou uma revolução na saúde pública: o ato de vacinar, quando realizado de forma ampla, reduziu drasticamente inúmeras doenças e salvou incontáveis vidas.
Vacinar é, comprovadamente, o meio mais eficaz e seguro para prevenir doenças e proteger toda a comunidade.
Por que as doenças diminuíram tanto?
O grande responsável pela enorme queda das doenças que assolaram a humanidade no passado — e que hoje apresentam índices baixíssimos de incidência — foi o avanço das campanhas de vacinação, intensificadas desde meados do século passado até os dias atuais.
Graças às vacinas, doenças como poliomielite, sarampo, varíola, rubéola, difteria, tétano neonatal, febre amarela, meningite meningocócica, coqueluche, hepatites, pneumonia por pneumococo, bronquiolite viral (VSR), entre outras, foram drasticamente reduzidas ou controladas.
Devemos seguir a ciência e os órgãos oficiais de saúde, obedecendo ao calendário nacional de imunizações. Esse é o melhor caminho para proteger a nós mesmos e à comunidade como um todo.

Ulysses Francisco Buono é coordenador de Assistência à Sáude. Atuou como médico gerente geral da Interclínicas durante duas décadas e como consultor do diretor de saúde da Porto Seguro por 11 anos. Graduou-se pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em 1971 e concluiu residência médica pediátrica em 1973.




