Estilo de vida ativo é fator central para inibir a doença; exercícios ajudam a diminuir a progressão e proporcionam mais autonomia
Por Jéssica Silva
Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) revelou que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais vivem atualmente com Parkinson. Esse número pode dobrar em 20 anos e, até 2060, ultrapassar 1,2 milhão de casos, conforme projeção do estudo.
O cenário chama a atenção para o que pode ser feito a fim de conter a doença que, até onde se sabe, não tem cura. “Parkinson é uma doença neurodegenerativa e multifatorial, que envolve genética, envelhecimento e fatores ambientais. Alguns desses fatores são modificáveis, o que abre espaço para o conceito de prevenção”, afirma a médica geriatra Gleici Kelly Campos.
O estilo de vida do paciente, segundo ela, tem peso considerável no avanço da doença. Manter a alimentação equilibrada, fugindo sobretudo de ultraprocessados; controlar doenças metabólicas, como diabetes e hipertensão, e evitar a exposição a toxinas (particularmete pesticidas) são alguns meios de driblar a doença. “Não prevenimos 100%, mas reduzimos o risco e, principalmente, atrasamos o início”, frisa a médica.
Exercícios físicos, nesse sentido, podem ajudar mesmo antes do diagnóstico. “A atividade física é provavelmente o fator mais importante que temos hoje em termos de proteção cerebral”, diz Campos. A prática de exercícios, ela destaca, “aumenta a liberação de fatores neurotróficos (proteção dos neurônios), melhora a função mitocondrial, reduz inflamação cerebral e favorece a plasticidade neural”.
Em publicação no site do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo, a especialista Rivana Paula Dellanoce Dragone explicou que a fisioterapia é indicada aos casos de Parkinson para diminuir a progressão da doença e proporcionar mais autonomia aos pacientes. O tratamento é personalizado de acordo com o quadro clínico de cada caso.
“De modo geral, trabalhamos fortalecimento e flexibilidade muscular, além de treino de equilíbrio e marcha. São exercícios simples, que ajudam na realização de atividades do dia a dia, como segurar um copo pesado e caminhar em uma rua irregular”, afirmou Dragone.
De acordo com o instituto, o Parkinson é um quadro neurológico degenerativo, crônico e progressivo que afeta o sistema nervoso central e causa tremores e perda de equilíbrio. Além disso, são sintomas não motores da doença alterações no olfato, distúrbios do sono, constipação intestinal e sinais de depressão. O diagnóstico é feito exclusivamente a partir da avaliação médica com base em resultados de exames laboratoriais.
“Não temos como impedir completamente o Parkinson, mas temos sim como influenciar o terreno em que ele se desenvolve”, ressalta Campos. Ela lista quatro dicas além da atividade física para estimular o cérebro e uma rotina mais saudável:
1- Sono de qualidade: distúrbios do sono podem preceder o Parkinson em anos. Cuidar do sono é cuidar do cérebro.
2- Estímulo cognitivo: leitura e aprender algo novo são exemplos.
3- Saúde intestinal: existe uma relação crescente entre microbiota intestinal e doenças neurodegenerativas.
4- Evitar sedentarismo e isolamento: o isolamento social também é fator de risco para declínio neurológico.
Atendimento
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