Colaboração global pode melhorar ainda mais atendimento do SUS realizado em parceria com Hospital Santa Marcelina e ONG Tucca
Por Redação
O trabalho de excelência realizado pelo Hospital Santa Marcelina voltado ao tratamento de câncer de crianças e adolescentes, na zona leste da capital paulista, foi selecionado para integrar o programa global da instituição estadunidense de tratamento e pesquisa sobre a doença Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK).
Intitulado SNF Global Pediatric Cancer Program at MSK Kids, o programa de colaboração internacional pode proporcionar ao centro brasileiro de oncologia benefícios clínicos, como a realização de exames fora do país, e científicos, ampliando a discussão de casos com especialistas do mundo todo.
“Somos o primeiro hub [ponto central] do MSK fora dos Estados Unidos para investimentos na área de educação, pesquisa e assistência. Nosso trabalho recebeu essa chancela e estamos felizes em aproveitar”, afirma Sidnei Epelman, presidente da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, Tucca, e diretor do serviço de oncologia pediátrica do Santa Marcelina Saúde.
A colaboração inclui também educação médica continuada. Os profissionais do Santa Marcelina e da Tucca terão acesso remoto às sessões acadêmicas sobre pediatria do MSK, conselhos globais multidisciplinares e poderão realizar simpósios e atividades com custeados pelo programa, como o ocorrido em 24 e 25 de março, em São Paulo
O Santa Marcelina, em trabalho conjunto com a Tucca, oferece cuidado integral a pacientes de diferentes regiões do estado, do Brasil e América Latina, como o caso destacado pela Folha de São Paulo do menino Lucas, 14, que veio com a família da Bolívia para o tratamento oncológico.
Cerca de 400 crianças são atendidas por ano e todo tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de doações da Tucca. Segundo Epelman, a parceria de 25 anos tem resultados importantes em termos de taxas de cura. Com o vínculo ao programa internacional, a expectativa é melhorar ainda mais.
Diagnóstico precoce
De acordo com o diretor da Tucca, a maior barreira para aumentar as taxas de cura no Brasil não é a tecnologia, mas o diagnóstico tardio e a dificuldade de acesso a centros altamente especializados.
Mais de 7 mil novos casos de câncer infantojuvenil são diagnosticados a cada ano no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). “As taxas de cura podem chegar a 80% quando há diagnóstico precoce e tratamento adequado. O problema é que muitos casos chegam tarde demais aos centros especializados”, frisa Epelman.
Nesse sentido, a associação também atua em campanhas educativas sobre sinais de alerta. “Fechamos o ciclo: educamos para diagnóstico precoce e tratamos sem custos ao paciente, dentro do SUS, com padrão MSK”, resume o diretor.
Da esquerda para a direita: Andrew Kung, representante do MSK, e Sidnei Epelman. Foto: Alexandrinos Corporativo




