Por Paulo Henrique Tourriere Cavicchio
O mês de setembro é marcado pela campanha nacional de conscientização e prevenção do suicídio. Criado no Brasil há mais de uma década, o Setembro Amarelo tem como objetivo promover o diálogo sobre saúde mental, quebrar preconceitos e incentivar a busca por ajuda.
É importante notar que a saúde mental, enquanto campo de prática e cuidado, apoia-se na conscientização sobre os transtornos mentais. Entende-se que o sujeito que conhece melhor seu transtorno possui maiores condições de participar ativamente de seu tratamento, adequando-o à sua realidade e às suas necessidades singulares.
Acolhimento pode salvar vidas
A prevenção do suicídio passa, necessariamente, por uma discussão ampla sobre saúde mental e pela capacidade que os serviços de saúde, as famílias e as organizações sociais têm de se aproximar do sujeito em sofrimento agudo, oferecendo acolhimento e ajuda no momento oportuno.
O estigma associado a esse tema tende a afastar a pessoa em sofrimento da busca por ajuda. Nesse sentido, o mês de conscientização torna-se um importante veículo de comunicação, não apenas para quem sofre, mas também para aqueles que estão ao seu redor, como familiares, amigos e colegas. Ao compreenderem a seriedade do tema, essas pessoas podem desempenhar um papel fundamental no encaminhamento ao tratamento adequado.
Durante muito tempo, o suicídio foi tratado sob uma perspectiva moralizante, marcada pela culpabilização como forma de coibir a prática. No entanto, sabe-se atualmente que essa abordagem representa um obstáculo ao cuidado efetivo. Como discutido anteriormente, o trabalho de prevenção e conscientização exige de todos a capacidade de identificar sinais de sofrimento e oferecer ajuda àqueles que vivenciam processos de isolamento e intenso sofrimento psíquico.
Os desafios da sociedade atual
A sociedade precisa encarar e compreender o suicídio como um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos fatores sociais, culturais e psicológicos. Em um contexto marcado pela fragmentação dos vínculos sociais e pelo crescente isolamento, as redes sociais podem, muitas vezes, contribuir para a construção de realidades distorcidas, favorecendo comparações, sentimentos de inadequação e afastamento interpessoal, em vez de promover conexões genuínas e suporte social.
Por isso, a conscientização promovida pelo Setembro Amarelo não deve se limitar a uma campanha pontual, mas servir como convite permanente à escuta, ao acolhimento e à construção de uma cultura de cuidado. Falar sobre sofrimento psíquico, buscar informação de qualidade e combater o estigma são atitudes que ajudam a criar ambientes mais seguros para que as pessoas possam expressar suas dificuldades sem medo de julgamento.
Toda vida importa
A prevenção do suicídio é uma responsabilidade coletiva. Quando famílias, profissionais de saúde, empresas, escolas e a sociedade trabalham juntos, aumentam as oportunidades de identificar precocemente o sofrimento e oferecer ajuda antes que a crise se agrave.
Conscientizar é reconhecer que ninguém deve enfrentar seu sofrimento sozinho.
Foto: arquivo pessoal
Paulo Henrique Tourriere Cavicchio é psicólogo com experiência em saúde mental e tratamento de pacientes em internação psiquiátrica. Atua Instituição Assistencial Emmanuel, clínica integrante da Rede Afinidade da AFPESP.




