Em visita de cortesia à AFPESP, Marco Antonio Villa comentou também sobre o legado da Revolução de 32
Por Andréa Ascenção
O historiador Marco Antonio Villa visitou o presidente da AFPESP, Artur Marques, e o coordenador de Meio Ambiente, Gilberto Natalini, no último dia 17, na Sede Social, onde conversaram sobre o impacto dos servidores púbicos no funcionamento do Estado e na vida da população brasileira; além das peculiaridades do Regime Próprio de Previdência Social. Villa é associado da AFPESP há 22 anos, aposentou-se como professor pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e foi comentarista do Jornal da Cultura, da TV Cultura, e dos programas Visão Crítica e Só Vale a Verdade, na Jovem Pan News.
Para o historiador, os servidores públicos são sub-representados em termos políticos ideológicos e uma das consequências que isso implica é o desconto previdenciário de aposentados e pensionistas. “Há meio século que eu ouço: a Previdência está em crise. Agora aparece um tal de Careca do INSS [lobista Antônio Camilo], mas já teve a Jorgina de Freitas [maior fraudadora do INSS]. Uma série de escândalos que ocorrem na Previdência nada têm a ver com aqueles que contribuem mensalmente durante décadas. A sociedade muitas vezes tem uma informação equivocada sobre a função do funcionário público, tanto em termos numéricos, de quantos precisam para a máquina bem funcionar, quanto em termos salariais. Repetem tanto o discurso, que as pessoas acreditam que há um excesso de funcionários, que recebem salários altos e uma aposentaria fabulosa. Eu, que vivi 30 anos na universidade pública, sei que isso não é verdade. A cada dois funcionários que saiam, eles repunham um. E assim sucessivamente. Nós nunca tivemos tanta circulação de informações e, ao mesmo tempo, tanta desinformação. Como não há um contradiscurso no Parlamento, muitos fogem da carreira do funcionalismo público. Esse discurso antifuncionário é antigo. Na verdade, começou com o Jânio Quadros. Quando ele era presidente do Brasil, a jornada de trabalho era de seis horas. Ele que ampliou para oito e obrigou ter a hora do almoço porque muita gente trabalhava em dois empregos. Se nós não tivermos uma ação, parlamentar e na imprensa, de vocalizar esse discurso, isso acaba passando. Temos que lembrar que quem demanda os serviços do Estado geralmente são os mais pobres. Por isso que são os ricos que vocalizam o discurso contra o Estado. Pior, quando chega a hora da aposentadoria, o servidor é tungado em 14%. Você paga a Previdência e não recebe. É um caso único no mundo”, disse Villa.
Revolução de 32
Autor de “1932: imagens de uma revolução” (Imprensa Oficial, 2008), Villa comentou um dos fatos mais importantes da história republicana do Brasil, a Revolução Constitucionalista de 1932, que no próximo dia 9 de julho completará 94 anos: “Não era uma tentativa de golpe de Estado ou interesses econômicos, era a defesa da Constituição, das liberdades e da democracia. Defendia o voto secreto; das mulheres, que acaba ocorrendo na eleição de 1933, e a reconstitucionalização do País”. O livro faz parte do acervo da Galeria Jorge Mancini, que estará aberta para visitação no feriado de 9 de julho, das 10h às 15h.
Da esquerda para a direita: Gilberto Natalini (coordenador de Meio Ambiente), Artur Marques (presidente da AFPESP) e Marco Antonio Villa (associado e historiador). Foto: Elisa Izumi Torres
Serviço
Galeria Jorge Mancini
Endereço: Rua Venceslau Brás, 206, Saguão – Sé – São Paulo/SP
Horário de funcionamento: de segunda à sexta-feira, das 9h às 16h, exceto feriados. Neste 9 de julho, a galeria funcionará, excepcionalmente das 10h às 15h.
Entrada: gratuita



